Resposta rápida: Os CNAEs mais usados no Brasil concentram-se no comércio varejista (grupo 47), nos serviços de alimentação e beleza e no desenvolvimento de software (6201-5/01). Comércio e serviços dominam os CNPJs ativos, sobretudo entre MEIs e microempresas do Simples Nacional.
O que é o CNAE e por que ele importa
O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é o código que identifica a atividade econômica principal e as secundárias de cada empresa no Brasil. Ele é administrado pelo IBGE em conjunto com a Comissão Nacional de Classificação (Concla) e usado pela Receita Federal, estados e municípios para definir tributos, obrigações acessórias e fiscalização.
Na prática, o CNAE determina:
- O anexo do Simples Nacional (comércio, indústria ou serviços) e a alíquota inicial.
- A incidência de ICMS (mercadorias) ou ISS (serviços).
- A exigência de licenças, alvarás e regras sanitárias.
- O enquadramento como MEI, microempresa ou empresa de pequeno porte.
Escolher o código errado é uma das causas mais comuns de pagamento de imposto a mais. Vale a pena entender como o CNAE aparece no CNPJ antes de abrir ou alterar sua empresa.
Os CNAEs mais usados no Brasil por setor
O Brasil tem mais de 1.300 códigos CNAE, mas um número pequeno deles concentra a maioria dos CNPJs ativos. A distribuição segue três grandes blocos: comércio, serviços e indústrias de transformação. Abaixo, uma síntese dos códigos que mais aparecem.
| CNAE | Descrição | Setor |
|---|---|---|
| 4781-4/00 | Comércio varejista de vestuário e acessórios | Comércio |
| 4712-1/00 | Minimercados, mercearias e armazéns | Comércio |
| 4772-5/00 | Comércio varejista de cosméticos e perfumaria | Comércio |
| 9602-5/01 | Cabeleireiros, manicure e pedicure | Serviços |
| 5611-2/03 | Lanchonetes, casas de chá e sucos | Serviços |
| 6201-5/01 | Desenvolvimento de software sob encomenda | Tecnologia |
| 4520-0/01 | Serviços de manutenção e reparo de veículos | Serviços |
| 8219-9/99 | Serviços de escritório e apoio administrativo | Serviços |
A relação acima é ilustrativa dos códigos mais frequentes; confirme sempre o código exato na base oficial da Concla/IBGE.
Comércio: o bloco mais popular
O comércio é historicamente o setor com mais CNPJs no país. Os campeões estão no grupo 47 (comércio varejista):
- Vestuário e acessórios (4781-4/00) — lojas de roupas físicas e online.
- Minimercados e mercearias (4712-1/00) — pequenos mercados de bairro.
- Cosméticos e perfumaria (4772-5/00) — revenda de beleza, muito comum entre MEIs.
- Comércio eletrônico (4713-0/02 e correlatos) — impulsionado pelo crescimento do e-commerce.
Esses ramos são populares porque exigem baixo investimento inicial e têm demanda constante. A maioria se enquadra no Anexo I do Simples Nacional, com alíquota inicial de 4% para faturamento até R$ 180 mil ao ano.
Serviços: o setor que mais cresce
Os serviços já disputam com o comércio a liderança em número de empresas. Destacam-se salões de beleza, alimentação (bares e lanchonetes), oficinas mecânicas e atividades de apoio administrativo. Serviços costumam recolher ISS ao município e podem cair no Anexo III ou V do Simples, a depender do Fator R — a relação entre folha de pagamento e receita bruta.
Serviços de tecnologia em alta
Os serviços de tecnologia são o segmento que mais ganhou relevância na última década. O código 6201-5/01 (desenvolvimento de software sob encomenda) e o 6209-1/00 (suporte técnico e TI) estão entre os mais escolhidos por novos negócios digitais, startups e profissionais autônomos que abrem PJ. Boa parte fica no Anexo III quando o Fator R é igual ou superior a 28%.
Indústrias de transformação
As indústrias de transformação aparecem em menor volume, mas com peso econômico relevante. Incluem confecção de roupas (14xx), fabricação de produtos alimentícios (10xx), móveis e produtos de metal. Em geral, seguem o Anexo II do Simples Nacional, com alíquota inicial de 4,5%.
Como o CNAE impacta os tributos do seu negócio
O mesmo faturamento pode gerar impostos diferentes dependendo do CNAE. Veja um exemplo simplificado dentro do Simples Nacional:
Fórmula da alíquota efetiva:
Alíquota efetiva = [(RBT12 × Alíquota nominal) − Parcela a deduzir] ÷ RBT12
Onde RBT12 é a receita bruta dos últimos 12 meses. Um comércio no Anexo I começa em 4%, enquanto um serviço no Anexo V pode iniciar em 15,5% — quase quatro vezes mais. Por isso, definir o código correto é parte central do planejamento. Se ficou em dúvida, veja como escolher o melhor CNAE para reduzir a carga de forma legal.
CNAE principal e secundários
Toda empresa indica um CNAE principal, referente à atividade de maior faturamento, e pode registrar diversos CNAEs secundários. Pontos de atenção:
- O MEI só pode exercer atividades da lista oficial do Portal do Empreendedor.
- CNAEs secundários também podem afetar licenças e fiscalização.
- Alterar o código exige atualização cadastral na Junta Comercial e na Receita.
Se você não sabe qual código sua empresa usa, é possível descobrir o CNAE pela consulta ao CNPJ no site da Receita Federal.
Reforma Tributária e o futuro do CNAE
Com a Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025), o PIS/Cofins, o ICMS e o ISS serão substituídos por CBS e IBS durante a transição entre 2027 e 2033. O CNAE continuará sendo o identificador da atividade, mas o peso do código na definição entre ICMS e ISS tende a diminuir, já que os novos tributos terão base ampla. Ainda assim, o CNAE seguirá relevante para o Simples Nacional, licenças e regimes específicos.
Resumo
O comércio varejista, os serviços de beleza e alimentação e o desenvolvimento de software estão entre os CNAEs mais usados no Brasil. Como o código define anexo, alíquota e obrigações, escolhê-lo corretamente evita pagar imposto a mais e problemas com o Fisco.
Fontes oficiais
Conteúdo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.