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Multa por Sonegação de Imposto: Qual o Valor em 2026?

Atualizado em 15/09/2026 · fiscalizacao-tributaria
Multa por Sonegação de Imposto: Qual o Valor em 2026?

Resposta rapida: Nos casos de sonegação, fraude ou conluio a Receita Federal aplica a multa qualificada, hoje de 100% do tributo devido, podendo chegar a 150% em caso de reincidência (Lei 9.430/96, art. 44). É bem acima da multa comum de 75%, e ainda incidem juros pela Selic e possível processo penal.

Qual o valor da multa por sonegação de imposto

O ponto de partida para entender a multa por sonegação é o artigo 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas aplicadas de ofício pela Receita Federal quando ela mesma lança o crédito tributário após uma fiscalização.

Existem dois patamares principais:

Situação Multa Base legal
Multa de ofício comum (erro, falta de pagamento sem dolo) 75% do tributo Lei 9.430/96, art. 44, I
Multa qualificada (sonegação, fraude ou conluio) 100%, podendo ir a 150% em reincidência Lei 9.430/96, art. 44, §1º e §1º-A (redação da Lei 14.689/2023)

A diferença é enorme. Enquanto o contribuinte que simplesmente deixou de pagar responde por 75%, aquele em que se comprova dolo (intenção) recebe a multa qualificada. Antes da Lei 14.689/2023 essa multa era fixa em 150%; hoje o percentual-base é 100%, com o teto de 150% reservado à reincidência.

Como a multa é calculada na prática

Suponha um tributo devido de R$ 100.000,00 apurado em autuação por sonegação:

Em caso de reincidência, a multa sobe para 150% (R$ 150.000,00 no exemplo). Já quando há embaraço à fiscalização — o contribuinte se recusa a apresentar documentos ou dificulta o trabalho do auditor —, a multa comum pode ser agravada de forma independente.

O que é sonegação fiscal

Sonegação fiscal é a conduta dolosa de ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou reduzir artificialmente o valor do tributo devido. O elemento central é a intenção de fraudar — sem dolo não há sonegação, há no máximo erro ou inadimplência.

A definição legal vem da Lei 4.729/1965 e, principalmente, da Lei 8.137/1990, que tipifica os crimes contra a ordem tributária. São exemplos clássicos de sonegação:

Para entender o fenômeno em profundidade e como ele se distingue de outras práticas, vale a leitura do nosso guia sobre sonegação fiscal e sobre as consequências penais e administrativas.

Sonegação, elisão e evasão

Nem toda economia de imposto é ilegal. É importante separar três conceitos:

Qual a diferença entre erro e fraude

Essa distinção é o que separa uma multa de 75% de uma multa de 100% ou 150% — e a existência ou não de crime.

O erro é involuntário. O contribuinte não tinha intenção de lesar o Fisco: esqueceu um informe de rendimentos, lançou um valor trocado, interpretou mal uma regra complexa. Nesses casos aplica-se a multa de ofício comum (75%) e, em regra, não há responsabilização penal.

A fraude exige dolo específico — a vontade consciente de enganar a fiscalização para não pagar. Aqui entram as manobras deliberadas: documentos falsos, ocultação de patrimônio, simulação de operações. A comprovação do dolo é o que autoriza a Receita a aplicar a multa qualificada.

Na prática, o auditor precisa demonstrar o elemento intencional para qualificar a multa — não basta o não pagamento. Por isso muitas autuações com multa de 150% são reduzidas para 75% em julgamentos administrativos quando o dolo não fica comprovado.

Consequências além da multa

A sonegação não gera apenas custo financeiro. Comprovado o dolo, a Receita costuma formalizar Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público. Os crimes da Lei 8.137/1990 preveem reclusão de 2 a 5 anos, além de multa penal.

Vale lembrar que o pagamento integral do débito (tributo, multa e juros) pode extinguir a punibilidade do crime tributário, conforme entendimento consolidado — motivo pelo qual muitos contribuintes buscam regularizar antes da denúncia criminal.

Como a Receita Federal identifica a sonegação

A fiscalização cruza dados de forma cada vez mais automatizada. Entre as principais fontes:

Quando as inconsistências aparecem, o contribuinte é intimado. Entender como funciona a fiscalização da Receita Federal ajuda a responder corretamente e evitar que uma simples divergência seja tratada como fraude.

Como se proteger

Fontes oficiais

Conteudo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.

Perguntas Frequentes

Qual o valor da multa por sonegação de imposto?
Nos casos de sonegação, fraude ou conluio, a Receita Federal aplica a multa qualificada, que hoje é de 100% do tributo devido, podendo chegar a 150% em caso de reincidência (Lei 9.430/96, art. 44, com redação dada pela Lei 14.689/2023). Isso é bem superior à multa de ofício comum, de 75%. Se houver embaraço à fiscalização, o percentual ainda pode ser agravado. Sobre o valor incidem também juros pela taxa Selic.
O que é sonegação fiscal?
Sonegação fiscal é a ação dolosa (intencional) de ocultar ou reduzir tributo devido, impedindo que a autoridade fiscal conheça o fato gerador ou seu valor real. Exemplos: omitir receitas, emitir notas frias, usar 'caixa dois' ou declarar despesas inexistentes. Está tipificada como crime na Lei 4.729/65 e na Lei 8.137/90, com penas que podem incluir reclusão, além da multa administrativa.
Qual a diferença entre erro e fraude?
O erro é involuntário, sem intenção de lesar o Fisco (por exemplo, um lançamento equivocado ou esquecimento de um documento). Nele aplica-se a multa comum de ofício (75%) e não há crime. A fraude exige dolo: a intenção deliberada de enganar a fiscalização e não pagar o tributo. Nesse caso incide a multa qualificada e há possibilidade de responsabilização penal.