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Nova Reforma Tributária: Principais Mudanças em 2026

Atualizado em 15/09/2026 · reforma-tributaria
Nova Reforma Tributária: Principais Mudanças em 2026

Resposta rápida: A reforma tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025) substitui PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos — a CBS federal e o IBS estadual/municipal — e cria o Imposto Seletivo. O modelo adota cobrança no destino e não cumulatividade plena, com transição gradual entre 2027 e 2033.

O que é a nova reforma tributária

A reforma tributária do consumo foi aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025. Ela reorganiza a forma como o Brasil tributa o consumo de bens e serviços, adotando o modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) já usado na maioria dos países. Como aqui a competência é dividida entre União, estados e municípios, o Brasil adota um IVA dual.

A promessa central é reduzir a complexidade, o efeito cascata e a chamada guerra fiscal, substituindo cinco tributos por um sistema mais simples e transparente. Para uma visão aprofundada do desenho geral, vale consultar nosso artigo sobre o IVA no Brasil.

Quais impostos serão extintos e o que os substitui

Entre as principais mudanças, cinco tributos sobre o consumo deixam de existir e são substituídos por três novos:

Tributo extinto Esfera Substituído por
PIS Federal CBS
Cofins Federal CBS
IPI (zerado, salvo Zona Franca) Federal Imposto Seletivo / CBS
ICMS Estadual IBS
ISS Municipal IBS

Os novos tributos são:

Juntos, CBS e IBS formam o IVA dual brasileiro.

Como funcionam CBS e IBS: os novos princípios

O novo sistema muda a lógica de apuração. Os principais pilares são:

Não cumulatividade plena

O imposto pago nas etapas anteriores da cadeia gera crédito que pode ser abatido na etapa seguinte, com poucas exceções. Isso reduz drasticamente a tributação em cascata, em que o imposto incidia sobre imposto. Na prática, cada elo da cadeia recolhe apenas sobre o valor que agregou.

Cobrança no destino

O tributo passa a ser devido no local onde o bem ou serviço é consumido, e não onde é produzido. Essa mudança tende a reduzir a guerra fiscal entre estados e municípios, já que o incentivo de atrair empresas com renúncia de receita perde força.

Base ampla e alíquota uniforme por ente

CBS e IBS terão base de incidência ampla, cobrindo praticamente todo o consumo de bens e serviços, com alíquota de referência definida pelo Senado e possibilidade de cada estado e município fixar sua própria alíquota do IBS.

O Imposto Seletivo (IS)

O Imposto Seletivo é conhecido como "imposto do pecado". Suas características principais:

Saiba mais em o que é o IS, o Imposto Seletivo, e como funciona.

Quando a reforma começa a valer: o cronograma

A transição é longa e escalonada, para dar tempo de adaptação a empresas, fiscos e sistemas. As datas-chave são:

Ano O que acontece
2026 Ano de teste: CBS e IBS cobrados em alíquota simbólica, sem substituir os tributos atuais, apenas para adaptar sistemas.
2027 CBS entra plena; PIS e Cofins são extintos; IPI é zerado (exceto Zona Franca); Imposto Seletivo passa a valer.
2029 a 2032 IBS sobe gradualmente enquanto ICMS e ISS são reduzidos na mesma proporção.
2033 Sistema novo em vigor integral; ICMS e ISS totalmente extintos.

Durante boa parte desse período, os sistemas antigo e novo coexistem, o que exige atenção redobrada na apuração. Confira também os detalhes de prazos em nosso conteúdo sobre impacto da reforma tributária.

O que muda para as empresas

As empresas estão entre os agentes mais afetados. Os principais pontos de atenção:

E o Simples Nacional?

O Simples Nacional permanece como regime opcional. O optante poderá escolher entre continuar recolhendo de forma unificada (sem transferir crédito integral) ou apurar CBS e IBS "por fora" para permitir crédito cheio aos clientes — decisão que depende do perfil de cada negócio.

Para o panorama completo do novo sistema e sua relação com o modelo antigo, veja nosso guia sobre a reforma tributária.

Pontos ainda em aberto

Alguns temas seguem em regulamentação complementar, como as alíquotas de referência definitivas, regimes específicos (combustíveis, serviços financeiros, saúde, educação) e o funcionamento do Comitê Gestor do IBS. Por isso, alíquotas exatas devem ser confirmadas nas normas oficiais à medida que forem publicadas.

Vale lembrar que a reforma tratada aqui é a do consumo. A tributação da renda (IRPF, IRPJ e dividendos) segue em discussão em projetos separados: os dividendos permanecem isentos pela regra vigente (Lei 9.249/95), havendo apenas propostas de mudança em tramitação, que não devem ser tratadas como lei em vigor.

Fontes oficiais

Conteúdo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.

Perguntas Frequentes

Quais as principais mudanças da nova reforma tributária?
A reforma unifica cinco tributos sobre o consumo em um IVA dual: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal) substituem PIS, Cofins, ICMS e ISS. Cria-se também o Imposto Seletivo sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente. O modelo passa a cobrar o imposto no destino (onde o bem é consumido), com não cumulatividade plena, permitindo crédito amplo do imposto pago nas etapas anteriores.
Quais impostos serão extintos?
Serão extintos cinco tributos sobre o consumo: PIS e Cofins (federais), ICMS (estadual), ISS (municipal) e o IPI (que será praticamente zerado, exceto para produtos da Zona Franca de Manaus). No lugar deles entram a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo. A extinção é gradual e acompanha o cronograma de transição, que vai de 2027 a 2033.
Quando a reforma começa a valer?
2026 é um ano de teste, com alíquotas simbólicas de CBS e IBS para adaptação de sistemas. Em 2027, a CBS entra em vigor plena e PIS/Cofins são extintos. Entre 2029 e 2032 o IBS sobe gradualmente enquanto ICMS e ISS são reduzidos na mesma proporção. Em 2033 o sistema novo passa a valer integralmente e os tributos antigos são extintos.
O que muda para as empresas?
As empresas passam a conviver com um período de transição em que os sistemas antigo e novo coexistem, exigindo atualização de ERPs, revisão de preços e de contratos. A não cumulatividade plena tende a reduzir o efeito cascata, e a cobrança no destino altera a lógica de apuração. Optantes do Simples Nacional podem escolher entre permanecer no regime atual ou apropriar créditos de CBS e IBS.