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Maior alíquota tributária no Brasil: qual é? (2026)

Atualizado em 15/09/2026 · tributacao
Maior alíquota tributária no Brasil: qual é? (2026)

Resposta rápida: Não existe uma única "maior alíquota". No imposto de renda da pessoa física, o topo é 27,5%. No futuro IVA da reforma tributária (CBS + IBS), estudos do governo estimam alíquota-padrão em torno de 28% — uma das maiores do mundo sobre consumo —, mas o valor final ainda será fixado por lei.

O que é uma alíquota tributária

A alíquota é o percentual (ou valor fixo) aplicado sobre a base de cálculo de um tributo para chegar ao valor devido. A fórmula básica é simples:

Imposto devido = Base de cálculo × Alíquota

O problema brasileiro é que temos dezenas de tributos, cada um com sua alíquota, regras e exceções. Por isso, perguntar "qual é a maior alíquota tributária no Brasil?" exige separar por tipo de tributo: renda, consumo, patrimônio e folha de pagamento.

As maiores alíquotas por tipo de tributo hoje

Antes da reforma tributária entrar plenamente em vigor, estas são as referências mais altas em cada categoria:

Tributo Alíquota máxima (referência) Incide sobre
IRPF (pessoa física) 27,5% Renda
IRPJ + adicional 15% + 10% sobre o excedente Lucro das empresas
CSLL 9% (regra geral) / até 20% (bancos) Lucro das empresas
ICMS varia por estado, chegando a 20%+ em alguns itens Consumo/circulação
ISS até 5% Serviços
IPI varia por produto (pode ultrapassar 300% em cigarros) Produtos industrializados

Note que, somando IRPJ, adicional e CSLL, uma grande empresa no Lucro Real pode ter tributação sobre o lucro próxima de 34%. Já o IPI sobre determinados produtos, como cigarros, atinge percentuais extremamente altos por finalidade extrafiscal (desestimular o consumo).

Para entender como o consumo é tributado no país, vale a leitura sobre a carga tributária sobre consumo, que hoje representa a maior fatia da arrecadação nacional.

A alíquota de 28% e a reforma tributária

A discussão sobre "a maior alíquota" ganhou destaque por causa da reforma tributária. A Emenda Constitucional EC 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, cria um IVA dual (Imposto sobre Valor Agregado) no Brasil, formado por dois tributos:

Além deles, há o Imposto Seletivo, que incide sobre bens e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente (como cigarros, bebidas alcoólicas e certos combustíveis). O Seletivo é monofásico (cobrado uma vez na cadeia) e não gera crédito.

De onde vem o número de 28%?

Estudos do Ministério da Fazenda estimaram uma alíquota-padrão de referência do IVA (CBS + IBS somadas) em torno de 28%. É importante entender três pontos:

  1. Não é um número fixado em lei. A alíquota final será calibrada por resoluções e leis complementares durante e após a transição, com o objetivo de manter a carga tributária atual (não aumentar a arrecadação).
  2. É uma alíquota-padrão. Muitos setores terão redução de 60% (saúde, educação, transporte coletivo, alimentos, entre outros) ou até alíquota zero (cesta básica nacional). Como esses setores pagam menos, a alíquota-padrão sobe para compensar.
  3. Se confirmada, seria uma das maiores alíquotas de IVA do mundo, superando países como Hungria (27%) e a média europeia (em torno de 21%).

Para se aprofundar em como esse modelo funciona, veja o guia sobre o IVA no Brasil.

Como a reforma tributária vai mudar o sistema

A mudança é estrutural e acontece de forma gradual. Os principais pilares do novo sistema de imposto sobre consumo são:

Cronograma da transição (2027 → 2033)

A implementação é escalonada para dar tempo de adaptação:

Ano O que acontece
2026 Fase de teste/aprendizado do IBS e da CBS (alíquotas simbólicas)
2027 CBS entra em vigor; PIS/Cofins são extintos; Imposto Seletivo começa
2029 a 2032 IBS sobe gradualmente; ICMS e ISS reduzem na mesma proporção
2033 Sistema novo plenamente em vigor; ICMS e ISS extintos

Ou seja, a alíquota cheia de 28% (se confirmada) só valeria integralmente a partir de 2033. Empresas do Simples Nacional têm regras específicas de opção — detalhadas no artigo sobre a reforma tributária para o Simples Nacional.

O que a mudança significa na prática

A promessa da reforma é simplificar, não aumentar a arrecadação. Mesmo assim, a alíquota nominal alta gera receio. Alguns pontos de atenção:

Para dimensionar os efeitos setoriais, consulte a análise sobre o impacto da reforma tributária.

Sobre dividendos, vale um esclarecimento: hoje eles são isentos de imposto de renda na distribuição ao sócio (Lei 9.249/95). Há proposta em tramitação para tributá-los, mas isso ainda não é lei vigente — trate como projeto, não como regra em vigor, e confirme na fonte oficial antes de qualquer planejamento.

Fontes oficiais

Conteudo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.

Perguntas Frequentes

Qual é a maior alíquota tributária no Brasil?
Depende do tributo. No imposto de renda da pessoa física, a maior faixa é 27,5%. Já no futuro IVA dual (CBS + IBS) da reforma tributária, estimativas do governo apontam alíquota-padrão de referência em torno de 28%, que seria uma das maiores do mundo sobre consumo. O percentual final ainda será fixado por lei e resoluções após a transição.
Como a reforma tributária de 2024 vai mudar o sistema brasileiro?
A EC 132/2023, regulamentada pela LC 214/2025, substitui PIS, Cofins, ICMS e ISS por um IVA dual: a CBS (federal) e o IBS (estadual/municipal), além de criar o Imposto Seletivo sobre produtos nocivos à saúde e ao ambiente. A transição ocorre gradualmente de 2027 a 2033, com créditos amplos e cobrança no destino.
O que é a alíquota de 28% da reforma tributária?
É a estimativa de alíquota-padrão de referência do IVA dual (CBS + IBS) divulgada em estudos do Ministério da Fazenda. Não é um número fixado em lei: será calibrada por resoluções e leis para manter a carga atual. Setores com alíquotas reduzidas (60% ou zero) puxam a alíquota-padrão para cima.
A alíquota do IVA já está valendo?
Não. A alíquota cheia do IBS e da CBS só vale plenamente a partir de 2033, ao fim da transição. Em 2026 há fase de teste; em 2027 a CBS entra em vigor e o Imposto Seletivo começa; entre 2029 e 2032 o IBS sobe gradualmente enquanto ICMS e ISS diminuem.