Resposta rápida: A arrecadação tributária total do Brasil somando União, estados e municípios ficou próxima de R$ 3 trilhões em 2023, equivalente a uma carga tributária em torno de 32% a 33% do PIB. Empresas respondem por parte relevante desse total via IRPJ, CSLL, PIS/Cofins, ICMS e contribuições sobre a folha.
O que é a arrecadação tributária total no Brasil
A arrecadação tributária total representa a soma de tudo que os três entes federativos recolhem em impostos, taxas e contribuições. Isso inclui os tributos federais administrados pela Receita Federal, o ICMS estadual, o ISS municipal e as contribuições previdenciárias.
Em 2023, o conjunto ficou perto de R$ 3 trilhões, o que corresponde a uma carga tributária bruta na casa dos 32% a 33% do PIB, patamar historicamente elevado quando comparado a países em desenvolvimento. Somente a parte administrada pela Receita Federal (tributos federais mais receitas previdenciárias) superou R$ 2,3 trilhões no ano.
Vale reforçar: os números passam por revisões periódicas. Os valores definitivos constam nos relatórios do Tesouro Nacional e da Receita Federal, e recomenda-se confirmar sempre na fonte oficial.
Como a arrecadação se distribui entre os entes
- União (governo federal): maior parcela, concentrando IRPJ, CSLL, PIS/Cofins, IPI, IOF e contribuições previdenciárias.
- Estados: dependem fortemente do ICMS, o tributo isolado que mais arrecada no país.
- Municípios: ISS, IPTU e ITBI, além de repasses constitucionais.
Quais são os principais tributos pagos pelas empresas
As empresas suportam boa parte da carga tributária brasileira. Os tributos que incidem sobre as empresas variam conforme o regime, mas os mais relevantes são:
| Tributo | Esfera | Base de incidência |
|---|---|---|
| IRPJ | Federal | Lucro (real, presumido ou arbitrado) |
| CSLL | Federal | Lucro / resultado |
| PIS e Cofins | Federal | Faturamento / receita |
| IPI | Federal | Produtos industrializados |
| ICMS | Estadual | Circulação de mercadorias e alguns serviços |
| ISS | Municipal | Prestação de serviços |
| INSS patronal | Federal | Folha de pagamento |
O peso de cada um depende do regime tributário adotado. No Simples Nacional, vários tributos são recolhidos em guia única (DAS). Já no Lucro Presumido e no Lucro Real, cada tributo é apurado separadamente, exigindo controle contábil mais rigoroso. Para entender melhor esse conjunto, veja o guia sobre os tributos que incidem sobre as empresas.
Quanto foi arrecadado com IRPJ, CSLL e PIS/Cofins
Esses três tributos estão entre as maiores fontes de receita da União e recaem diretamente sobre a atividade empresarial.
- IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica): incide sobre o lucro. A alíquota básica é de 15%, com adicional de 10% sobre a parcela do lucro que exceder R$ 20.000 por mês (R$ 240.000 no ano). Saiba mais sobre o IRPJ e como ele funciona.
- CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido): complementa a tributação do lucro, com alíquota geral de 9% (maior para instituições financeiras).
- PIS/Cofins: contribuições sobre o faturamento. No regime cumulativo, as alíquotas somadas ficam em torno de 3,65%; no não cumulativo, chegam a cerca de 9,25%, com direito a créditos.
Em 2023, IRPJ e CSLL somados movimentaram algumas centenas de bilhões de reais. O PIS/Cofins, por incidir sobre o faturamento de praticamente todas as empresas, também figura no topo do ranking de arrecadação federal. Os valores exatos por tributo aparecem nos relatórios mensais de arrecadação da Receita Federal e devem ser consultados diretamente na fonte.
Fórmula simplificada do lucro tributável (Lucro Real)
Lucro contábil
(+) adições (despesas não dedutíveis)
(-) exclusões (receitas não tributáveis)
(=) Lucro Real (base do IRPJ e da CSLL)
Sobre essa base aplicam-se as alíquotas de IRPJ (15% + adicional de 10%) e CSLL (9%).
Por que a carga tributária brasileira é tão discutida
O Brasil combina carga elevada com um sistema complexo, especialmente na tributação sobre o consumo. A multiplicidade de tributos, regimes e obrigações acessórias gera alto custo de conformidade para as empresas. O tema é detalhado no artigo sobre a carga tributária sobre o consumo.
Outro ponto é a concentração no consumo: diferentemente de economias avançadas, que tributam mais renda e patrimônio, o Brasil arrecada muito sobre bens e serviços, o que tende a ter efeito regressivo.
Como a Reforma Tributária afeta a arrecadação total
A Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025) muda a forma de cobrar, sem o objetivo declarado de aumentar a carga total. As mudanças centrais:
- CBS (federal) e IBS (estadual/municipal) substituem PIS, Cofins, ICMS e ISS, formando um modelo de IVA dual.
- Imposto Seletivo incide sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente; é monofásico e não gera crédito.
- A transição ocorre gradualmente entre 2027 e 2033, com convivência temporária dos modelos antigo e novo.
A diretriz é a neutralidade de arrecadação: manter o nível de receita enquanto simplifica o sistema e amplia a não cumulatividade. Para empresas, isso significa revisar precificação, créditos e enquadramento. Veja os detalhes no artigo sobre a Reforma Tributária.
Sobre dividendos, a regra vigente ainda é a isenção na distribuição aos sócios (Lei 9.249/95). Existe proposta em tramitação para tributá-los, mas, até a publicação deste conteúdo, trata-se de projeto, não de lei em vigor.
Fontes oficiais
Conteúdo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.