Resposta rápida: A Petrobras é, historicamente, a empresa que mais paga imposto no Brasil. Somando tributos federais e estaduais (IRPJ, CSLL, PIS/Cofins, ICMS) e participações governamentais como royalties, a estatal repassa dezenas de bilhões de reais por ano ao poder público, liderando os rankings de arrecadação nacional.
Qual empresa paga mais imposto no Brasil
Quando se pergunta qual empresa é a maior pagadora de impostos do país, a resposta que aparece ano após ano nos levantamentos de arrecadação é a mesma: Petrobras. A petroleira estatal combina dois fatores que a colocam no topo: um faturamento na casa das centenas de bilhões de reais e atuação em um setor - petróleo, gás e combustíveis - que está entre os mais tributados do Brasil.
Logo atrás costumam aparecer:
- Grandes bancos (Itaú Unibanco e Bradesco), fortes pagadores de IRPJ e CSLL, tributo este que incide em alíquota majorada sobre instituições financeiras.
- Mineradoras, com destaque para a Vale, impulsionadas pela exportação de minério e pela CFEM (compensação financeira pela exploração mineral).
- Empresas de bebidas, telecomunicações e varejo, que recolhem volumes altos de ICMS e contribuições.
Ainda assim, a soma de tributos mais participações governamentais tende a manter a Petrobras isolada na liderança.
Por que a Petrobras é a maior pagadora de impostos
A posição da estatal não é coincidência. Ela decorre da estrutura do setor de petróleo e da própria dimensão da empresa. Entender essa conta ajuda a esclarecer por que nenhuma outra companhia se aproxima do total repassado.
1. Tributos ordinários sobre uma base gigante
Como qualquer grande empresa no lucro real, a Petrobras recolhe:
- IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) - saiba mais em o que é o IRPJ;
- CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), detalhada em CSLL: o que é e como calcular;
- PIS e Cofins sobre a receita;
- ICMS, que incide de forma expressiva sobre combustíveis.
Aplicados sobre uma receita bruta que supera os R$ 400 bilhões em anos de bom desempenho, esses tributos já geram valores bilionários.
2. Participações governamentais: royalties e participação especial
O grande diferencial da Petrobras está nas participações governamentais previstas na Lei 9.478/1997 (Lei do Petróleo). Além dos impostos, quem explora petróleo e gás no Brasil paga:
| Participação governamental | O que é | Referência legal |
|---|---|---|
| Royalties | Compensação pela produção de petróleo e gás natural | Lei 9.478/1997 |
| Participação especial | Cobrança adicional sobre campos de grande volume ou alta rentabilidade | Lei 9.478/1997 |
| Bônus de assinatura | Pagamento na assinatura do contrato de concessão | Lei 9.478/1997 |
Importante: royalties e participações especiais não são "impostos" em sentido técnico - são participações governamentais. Mas muitos rankings de arrecadação os somam ao total repassado ao poder público, o que reforça a liderança da estatal.
3. Dividendos ao acionista União (não são imposto)
A União é a acionista controladora da Petrobras. Por isso, recebe dividendos relevantes quando a empresa lucra. Vale a distinção técnica: dividendos não são tributo - são remuneração de acionista. Hoje, os dividendos distribuídos por empresas brasileiras são isentos de Imposto de Renda para quem recebe (Lei 9.249/1995).
Há proposta em tramitação para voltar a tributar dividendos acima de determinado valor. Trata-se de projeto em discussão, e não de regra já vigente. Entenda o debate em tributação de dividendos e JCP.
Quanto representa na arrecadação nacional
Nos levantamentos divulgados pela imprensa econômica e por iniciativas como o Impostômetro, a Petrobras costuma responder sozinha por uma fatia expressiva da arrecadação federal ligada a grandes contribuintes. Em anos de preços altos do petróleo, o total repassado por ela (tributos + participações) já ultrapassou a marca dos R$ 200 bilhões somando todas as esferas - patamar que nenhuma empresa privada alcança.
Para dimensionar como esses valores se encaixam no sistema, vale conhecer a estrutura de tributos do país em o que é o Sistema Tributário Nacional e os números gerais de arrecadação.
Como a Reforma Tributária pode mudar esse cenário
A Reforma Tributária (EC 132/2023, regulamentada pela LC 214/2025) substitui PIS/Cofins/ICMS/ISS por dois tributos sobre valor agregado: CBS (federal) e IBS (estados e municípios), com transição gradual entre 2027 e 2033.
Para o setor de petróleo e combustíveis, dois pontos merecem atenção:
- Imposto Seletivo (IS): incide sobre bens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, entre eles alguns combustíveis fósseis. É monofásico (cobrado em uma única etapa) e não gera crédito para o adquirente.
- Regimes específicos: a LC 214/2025 prevê tratamento próprio para combustíveis, o que afeta diretamente a forma como a Petrobras apura CBS e IBS.
Na prática, a mudança redistribui a forma de cobrança, mas dificilmente tira a estatal da liderança de arrecadação, dado o peso das participações governamentais - que seguem regidas pela Lei do Petróleo, fora do escopo da CBS/IBS.
Pontos-chave para lembrar
- A Petrobras lidera a arrecadação no Brasil há anos.
- O topo se explica por faturamento alto + setor muito tributado + royalties.
- Royalties e participações especiais não são impostos, mas entram nos rankings de repasse ao poder público.
- Dividendos pagos à União não são tributo; a proposta de tributá-los ainda não virou lei.
- Bancos e mineradoras aparecem logo atrás, mas raramente ultrapassam a estatal no total.
Fontes oficiais
- Lei 9.478/1997 - Lei do Petróleo (Planalto)
- Emenda Constitucional 132/2023 - Reforma Tributária (Planalto)
Conteúdo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.