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Desoneração fiscal: o que é, objetivos e como funciona no Brasil

Atualizado em 15/09/2026 · tributos-federais
Desoneração fiscal: o que é, objetivos e como funciona no Brasil

Resposta rápida: Desoneração fiscal é o conjunto de medidas que reduzem ou eliminam parte da carga tributária sobre um setor, produto ou base de cálculo. O objetivo é diminuir custos, estimular empregos, aumentar a competitividade e impulsionar o crescimento econômico, gerando o que o governo chama de renúncia de receita.

O que é desoneração fiscal

A desoneração fiscal é uma política pública pela qual o governo abre mão de parte da arrecadação para aliviar a carga tributária que incide sobre determinada atividade econômica. Na prática, um tributo é reduzido, substituído por outro de menor impacto ou até zerado para um grupo específico de contribuintes.

Ela pode assumir várias formas:

O ponto central é que a desoneração tem finalidade extrafiscal: mais do que arrecadar, o Estado busca induzir comportamentos — como contratar mais trabalhadores, investir, exportar ou manter preços competitivos.

Quais são os objetivos da desoneração fiscal

Os objetivos variam conforme o desenho de cada medida, mas costumam girar em torno de cinco eixos:

  1. Reduzir custos das empresas, liberando caixa para investimento e capital de giro.
  2. Estimular o emprego formal, especialmente quando o alívio recai sobre a folha de pagamento.
  3. Aumentar a competitividade de produtos e serviços nacionais frente aos importados.
  4. Fomentar setores estratégicos ou intensivos em mão de obra (construção, TI, indústria).
  5. Impulsionar o crescimento econômico e conter a informalidade.

O contraponto é que toda desoneração implica renúncia de receita: o governo deixa de arrecadar valores que precisam ser compensados por outras fontes ou por corte de despesas. Por isso, a Lei de Responsabilidade Fiscal exige estimativa de impacto e medidas de compensação para benefícios que reduzam a arrecadação. Entenda melhor esse efeito no artigo sobre renúncias fiscais.

Quando começou a desoneração fiscal no Brasil

Benefícios de desoneração existem há muito tempo no sistema tributário — isenções de exportação, incentivos regionais e regimes especiais são exemplos antigos. O marco mais lembrado, porém, é a desoneração da folha de pagamento, criada pela Medida Provisória 540/2011, convertida na Lei 12.546/2011, dentro do Plano Brasil Maior.

A lógica foi trocar a contribuição patronal previdenciária de 20% sobre a folha por uma Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), com alíquotas menores incidentes sobre o faturamento. A medida começou com poucos setores e foi ampliada nos anos seguintes.

Como funciona a substituição da base

Modelo Base de cálculo Alíquota de referência
Regime geral (CPP) Folha de pagamento 20% sobre a remuneração
CPRB (desoneração) Receita bruta Faixas de 1% a 4,5%, conforme o setor

A escolha entre um modelo e outro depende do perfil da empresa: negócios com folha alta em relação ao faturamento tendem a se beneficiar da CPRB, enquanto empresas de folha enxuta podem pagar mais no regime da receita. Veja o detalhamento no artigo sobre desoneração da folha e como a tributação incide sobre a remuneração em tributação sobre a folha de pagamento.

Desoneração da folha: prorrogações e fim gradual

A desoneração da folha foi prorrogada diversas vezes e virou tema recorrente de disputa entre Executivo e Legislativo, justamente pelo tamanho da renúncia envolvida. Após negociações, ficou definida uma transição de reoneração gradual, em que a alíquota sobre a folha volta a subir ao longo de alguns anos até o retorno ao regime cheio.

Como as regras e o cronograma dependem de normas específicas e podem mudar, é essencial confirmar o estágio atual na legislação vigente. Acompanhe o tema no artigo sobre o fim gradual da desoneração da folha de pagamento.

Tipos de desoneração além da folha

A desoneração não se limita à folha de pagamento. Outras aplicações comuns:

Vantagens e riscos da desoneração fiscal

Vantagens

Riscos e críticas

Desoneração e a Reforma Tributária

Com a Reforma Tributária do consumo (EC 132/2023 e LC 214/2025), que cria a CBS e o IBS em substituição a PIS, Cofins, ICMS e ISS, muitos regimes de exceção e desonerações tendem a ser revistos. A proposta busca uma base mais ampla e menos benefícios pontuais, com transição prevista entre 2027 e 2033. Regimes específicos e alíquotas reduzidas ainda existirão para setores selecionados, mas o desenho geral privilegia a simplificação. Confirme sempre o texto vigente antes de decidir.

Fontes oficiais

Conteudo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.

Perguntas Frequentes

O que é desoneração fiscal?
Desoneração fiscal é o conjunto de medidas do governo que reduzem ou eliminam total ou parcialmente a carga tributária sobre determinado setor, produto ou base de cálculo. O objetivo é diminuir o custo de tributos, como os incidentes sobre a folha de pagamento ou o consumo, para estimular a atividade econômica, o emprego e a competitividade.
Quais são os objetivos da desoneração fiscal?
Os principais objetivos são reduzir custos das empresas, estimular a geração de empregos, aumentar a competitividade de produtos nacionais frente aos importados, fomentar setores estratégicos e impulsionar o crescimento econômico. Também pode ser usada para conter a informalidade e para equilibrar cadeias produtivas específicas.
Quando começou a desoneração fiscal no Brasil?
Desonerações existem há décadas em diferentes formatos, mas o marco mais conhecido é a desoneração da folha de pagamento, criada pela Medida Provisória 540/2011, convertida na Lei 12.546/2011, no âmbito do Plano Brasil Maior. Ela substituiu a contribuição de 20% sobre a folha pela CPRB, incidente sobre a receita bruta.
Desoneração fiscal e renúncia fiscal são a mesma coisa?
São conceitos próximos, mas não idênticos. A desoneração é a política de reduzir a carga tributária de um alvo específico. A renúncia fiscal é o valor que o Estado deixa de arrecadar por conta desses benefícios, registrado no Orçamento. Toda desoneração gera renúncia, mas o termo renúncia enfatiza o impacto sobre a arrecadação pública.