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Lucro Real x Presumido x Simples: Guia Completo 2026

Atualizado em 15/09/2026 · planejamento-tributario
Lucro Real x Presumido x Simples: Guia Completo 2026

Resposta rápida: Simples Nacional unifica tributos em uma guia para empresas até R$ 4,8 milhões; Lucro Presumido calcula IRPJ e CSLL sobre margem fixa presumida; Lucro Real tributa o lucro efetivo. A melhor escolha depende de faturamento, margem de lucro, folha e setor. Simule os três antes de decidir.

Lucro Real, Lucro Presumido e Simples Nacional: o que muda entre os regimes

A escolha do regime tributário é uma das decisões mais importantes na vida de uma empresa. Ela define quanto você paga de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e demais tributos, além das obrigações acessórias exigidas. Em 2026, com a Reforma Tributária já em fase de implementação, entender as diferenças ficou ainda mais estratégico.

Existem três regimes principais no Brasil:

Cada um tem regras próprias de enquadramento, cálculo e limites de faturamento.

Simples Nacional: simplicidade para pequenos negócios

O Simples Nacional foi criado pela Lei Complementar 123/2006 para microempresas (faturamento até R$ 360 mil/ano) e empresas de pequeno porte (até R$ 4,8 milhões/ano). Ele reúne em uma única guia, o DAS, tributos como IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IPI, ICMS, ISS e a contribuição previdenciária patronal.

Vantagens e pontos de atenção

Por outro lado, empresas com folha muito enxuta, alto faturamento ou que geram muitos créditos de ICMS/PIS/Cofins nem sempre encontram no Simples a opção mais econômica. Veja o detalhamento das faixas em nosso guia de tabelas e alíquotas do Simples Nacional 2026.

Lucro Presumido: margem fixa e previsibilidade

No Lucro Presumido, a Receita Federal presume um percentual de lucro sobre a receita bruta para calcular IRPJ e CSLL, independentemente do lucro real da empresa. Podem optar empresas com faturamento anual de até R$ 78 milhões que não sejam obrigadas ao Lucro Real.

Percentuais de presunção (IRPJ)

Atividade Presunção de lucro (IRPJ)
Revenda de combustíveis 1,6%
Comércio e indústria 8%
Transporte de cargas 8%
Serviços em geral 32%
Serviços hospitalares (regra específica) 8%

Sobre a base presumida aplica-se 15% de IRPJ, mais adicional de 10% sobre a parcela da base de cálculo que exceder R$ 20 mil por mês do período de apuração. Como o Lucro Presumido tem apuração trimestral, esse limite corresponde a R$ 60 mil por trimestre — o adicional de 10% incide sobre o que ultrapassar esse valor. A CSLL usa presunção de 12% (comércio/indústria) ou 32% (serviços), com alíquota de 9%. PIS e Cofins são cumulativos (0,65% e 3%), sem direito a crédito.

Esse regime costuma favorecer empresas de serviços com boa margem e custos operacionais baixos. Aprofunde no artigo dedicado ao Lucro Presumido.

Lucro Real: tributação sobre o lucro efetivo

No Lucro Real, IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro contábil, ajustado por adições e exclusões previstas na legislação. É obrigatório para empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões/ano, instituições financeiras e algumas atividades específicas.

Quando o Lucro Real compensa

A contrapartida é a maior complexidade: escrituração contábil e fiscal completa, ECD, ECF e apuração trimestral ou anual. Entenda melhor a mecânica do imposto no artigo o que é o IRPJ.

Comparativo rápido dos três regimes

Critério Simples Nacional Lucro Presumido Lucro Real
Limite de faturamento Até R$ 4,8 mi/ano Até R$ 78 mi/ano Sem limite
Base de cálculo Receita bruta (anexos) Margem presumida Lucro efetivo ajustado
Complexidade Baixa Média Alta
Créditos PIS/Cofins Não Não (cumulativo) Sim (não cumulativo)
Perfil típico Pequenos negócios Serviços com boa margem Margem baixa / muitos créditos

Como escolher o regime em 2026

Não existe regime universalmente melhor. A decisão depende de variáveis combinadas:

  1. Faturamento anual — respeite os limites de cada regime;
  2. Margem de lucro — margens baixas tendem ao Lucro Real;
  3. Folha de pagamento — impacta o Simples (Fator R) e o custo previdenciário;
  4. Setor e créditos — indústria e comércio com muitos insumos podem se beneficiar da não cumulatividade;
  5. Atividades vedadas — algumas não podem optar pelo Simples.

O ideal é simular os três cenários com base em dados reais do negócio, preferencialmente antes de janeiro, quando a opção pelo Simples é formalizada. Um bom planejamento tributário legal pode gerar economia relevante sem riscos.

Atenção à Reforma Tributária

A Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025) cria a CBS e o IBS, que substituirão gradualmente PIS, Cofins, ICMS e ISS ao longo da transição entre 2027 e 2033. O Simples Nacional foi mantido, mas com regras específicas de apropriação de créditos que exigem acompanhamento. Confirme os impactos setoriais antes de definir seu regime.

Fontes oficiais

Conteúdo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.

Perguntas Frequentes

O que é o Simples Nacional?
O Simples Nacional é um regime tributário simplificado, criado pela Lei Complementar 123/2006, destinado a microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). Ele unifica a arrecadação de até oito tributos (federais, estadual e municipal) em uma única guia mensal, o DAS, com alíquotas progressivas conforme o faturamento e a atividade da empresa.
Quais são os requisitos para aderir ao Simples Nacional?
Para aderir, a empresa precisa ter receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões, estar enquadrada como ME ou EPP, não exercer atividade vedada pela LC 123/2006, não ter sócio pessoa jurídica nem participação em outra empresa acima dos limites legais, e estar regular com o fisco (sem débitos em aberto). A opção deve ser feita, em regra, em janeiro de cada ano.
Quais tributos estão incluídos no Simples Nacional?
O DAS reúne IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, IPI, ICMS, ISS e a Contribuição Patronal Previdenciária (CPP), dependendo do anexo e da atividade. Alguns tributos, como ICMS-ST, DIFAL e o INSS sobre a folha em determinados casos, podem ser recolhidos por fora da guia unificada.
Qual regime tributário é o mais vantajoso em 2026?
Não existe resposta única: depende do faturamento, da margem de lucro, da folha de pagamento e do setor. Empresas pequenas com poucos funcionários costumam se beneficiar do Simples; negócios com margem baixa e muitos créditos tendem ao Lucro Real; e empresas de serviços com boa margem, ao Lucro Presumido. É essencial simular os três cenários com um contador.