Resposta rápida: Os mais afetados são os serviços intensivos em mão de obra e com poucos insumos creditáveis — TI (62.xx), consultorias (70.xx), publicidade (73.xx), engenharia e arquitetura (71.xx), advocacia (69.10) e contabilidade (69.20) — porque a folha de salários não gera crédito e a alíquota padrão (referência de ~26,5%) tende a elevar a carga. Já indústria, comércio, agronegócio e exportadores costumam se beneficiar da não cumulatividade plena.
Por que os serviços são os mais afetados
A Reforma Tributária (LC 214/2025) troca cinco tributos — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por três: CBS, IBS e o Imposto Seletivo. A alíquota de referência do IBS + CBS é estimada em torno de 26,5%. Compare com a realidade de hoje de uma empresa de serviços no Lucro Presumido:
- ISS de 2% a 5%;
- PIS/Cofins cumulativo de 3,65%.
Ou seja, boa parte do setor de serviços paga hoje algo entre 5,65% e 8,65% sobre o faturamento. Como o novo modelo é não cumulativo (você abate créditos), a conta final depende de quantos insumos tributados a empresa tem. O problema: serviço é feito de gente, não de insumo. Salários e pró-labore não geram crédito, então a base tributável cai pouco e a alíquota de ~26,5% pesa.
Mitigação: profissões intelectuais regulamentadas têm redução de 30% na alíquota, e o Simples Nacional segue como opção. Ainda assim, o setor de serviços é o mais pressionado.
CNAEs com maior risco de aumento de carga
Serviços intensivos em mão de obra e com poucos insumos creditáveis:
- 62.xx – Tecnologia da informação / software / desenvolvimento (ex.: 62.01-5, 62.02-3, 62.04-0)
- 63.xx – Tratamento de dados, hospedagem e portais
- 69.10 – Atividades jurídicas (advocacia) e 69.20 – Contabilidade, auditoria e consultoria fiscal
- 70.20 – Consultoria em gestão empresarial
- 71.xx – Serviços de arquitetura e engenharia (71.11, 71.12, 71.19)
- 73.xx – Publicidade, marketing e pesquisa de mercado
- 74.xx – Design, fotografia e atividades profissionais diversas
- 96.02 – Cabeleireiros, estética e serviços pessoais
Nesses CNAEs, o desafio é duplo: alíquota maior e base difícil de reduzir. Para muitos, permanecer no Simples Nacional ou avaliar o regime híbrido de IBS/CBS (para gerar crédito ao cliente B2B) vira decisão estratégica — veja o passo a passo em até quando optar pelo cadastro do IBS e CBS.
CNAEs que ganham reduções de alíquota
A lei previu regimes favorecidos. Os principais:
Redução de 60% na alíquota
- 86.xx – Saúde (hospitais, clínicas, laboratórios, serviços médicos)
- 85.xx – Educação (escolas, faculdades, cursos)
- Fabricação e comércio de dispositivos médicos e medicamentos (parte com alíquota zero)
- 49.xx – Transporte coletivo de passageiros (rodoviário, ferroviário, urbano)
- Produções artísticas, culturais e jornalísticas
- Alimentos e produtos agropecuários (parte na cesta básica, com alíquota zero)
Redução de 30% na alíquota
- Profissões intelectuais regulamentadas: advogados (69.10), médicos (86.xx), engenheiros e arquitetos (71.xx), contadores (69.20), administradores, economistas, veterinários e dentistas.
Alíquota zero
- Cesta básica nacional, determinados medicamentos, dispositivos de acessibilidade, entre outros.
CNAEs com regime específico (regra própria)
Alguns setores não seguem a regra geral — têm sistemática própria de cálculo:
- Combustíveis e lubrificantes (19.xx, 47.31)
- Serviços financeiros, seguros e planos de saúde (64.xx, 65.xx, 66.xx)
- Operações com bens imóveis — incorporação, locação e compra e venda (41.xx, 68.xx)
- Bares, restaurantes e hotelaria (56.xx, 55.xx)
- Agências de turismo (79.xx)
- Cooperativas e Sociedades Anônimas do Futebol (SAF)
Se o seu CNAE está aqui, não aplique as regras gerais — o cálculo obedece a normas específicas da LC 214/2025.
Quem tende a se beneficiar
Nem tudo é aumento. Costumam ganhar com a reforma:
- Indústria (10.xx a 33.xx) e comércio (45.xx a 47.xx): já pagavam ICMS/IPI e passam a ter cadeia de créditos ampla e não cumulativa, com fim da guerra fiscal.
- Agronegócio e produtores rurais: tratamento favorecido e créditos.
- Exportadores: mantêm a desoneração das exportações, com direito a crédito.
Entenda o mecanismo em créditos de IBS e CBS: a não cumulatividade.
Como saber o impacto real no seu CNAE
A regra de ouro: quanto maior o peso da folha e menor o volume de insumos tributados, maior o aumento. Mas o número exato depende do seu regime (Simples, Presumido, Real), da margem e da cadeia de fornecedores. Antes de repassar preço ou mudar de regime, faça uma simulação com os seus próprios números — no setor de serviços, a diferença entre cenários chega facilmente a dois dígitos percentuais. Para consultar a tributação da sua atividade, use a consulta de CNAE.
Fontes oficiais
Conteúdo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; a classificação e o regime do seu CNAE devem ser confirmados com seu contador e nas fontes oficiais.
