Resposta rápida: A Reforma Tributária muda a margem de um produto de duas formas ao mesmo tempo: pela alíquota de IBS/CBS que passa a incidir sobre a venda, e pelo crédito mais amplo sobre os insumos comprados. O efeito líquido varia por empresa — quem hoje perde muito crédito na cadeia atual tende a ganhar margem; quem já aproveita crédito bem pode sentir aumento de carga se a alíquota efetiva for maior que a soma dos tributos atuais.
Por que não dá para olhar só a alíquota nominal
Um erro comum é comparar a alíquota de referência do IBS/CBS diretamente com a soma das alíquotas atuais de ICMS, ISS, PIS e Cofins, sem considerar o efeito dos créditos. Como a não cumulatividade do novo sistema é mais ampla, o imposto líquido pago pode ser menor do que a alíquota nominal sugere — ou maior, se a empresa hoje já aproveita bem os créditos do sistema atual.
Como simular o efeito na margem
- Levante o custo de insumos que hoje geram crédito e os que não geram, no regime atual da empresa.
- Estime o crédito de IBS/CBS sobre esses mesmos insumos na nova sistemática, considerando que a base de crédito tende a ser mais ampla.
- Calcule o imposto líquido (débito da venda menos crédito das compras) nos dois cenários — atual e pós-Reforma.
- Compare o resultado líquido sobre o preço de venda atual, e não apenas a alíquota bruta.
Use a calculadora de IBS e CBS do Fisco para automatizar essa comparação com os dados da sua empresa.
Quando a margem tende a melhorar
- Empresas com muitos insumos que hoje não geram crédito no regime cumulativo (caso comum do Lucro Presumido) tendem a se beneficiar da não cumulatividade ampla do IBS/CBS.
- Empresas que compram de fornecedores do regime regular, que já vão gerar crédito cheio desde o início da transição.
- Setores com cadeia de produção mais longa, hoje penalizados pela cumulatividade de PIS/Cofins no regime presumido.
Quando a margem tende a piorar
- Empresas que já aproveitam bem os créditos no Lucro Real hoje, e para quem a alíquota efetiva de IBS/CBS pode superar a carga atual.
- Negócios com alta dependência de mão de obra como insumo — trabalho não gera crédito de IBS/CBS, diferente de compras de mercadorias e serviços de terceiros.
- Empresas que vendem para consumidor final, que não recupera crédito nenhum e sente o efeito da alíquota nominal de forma mais direta.
Repassar ao preço ou absorver na margem?
A decisão de repassar o efeito da Reforma ao preço final depende da elasticidade de demanda do produto e da posição competitiva da empresa. Simular os dois cenários — repasse total e absorção parcial — antes da transição chegar à sua atividade evita decisões reativas em cima da hora, especialmente em setores sensíveis a preço, como o de bares e restaurantes.
Impacto da Reforma Tributária
O efeito final sobre a margem depende muito da alíquota de referência do IBS e da CBS, ainda em ajuste, e da forma como a não cumulatividade de créditos vai funcionar na prática para cada setor. Repetir a simulação sempre que houver atualização oficial é a forma mais segura de não ser pego de surpresa.
Fontes oficiais
Conteúdo atualizado em setembro de 2026. Material informativo; confirme com seu contador.
